" O copo de um atleta precisa de muito mais energia que o de uma recepcionista.
Um operário de construção tem muito mais chance de ser magro que um executivo" , afirma a nutricionista paulista Flora Spoliodoro, responsável pela criaçao da dieta do aventureiro dos oceanos, Amyr Klnk(que buscava atravessar sozinho os aceanos em pequena embarcação). Flora diz que dependendo do tipo de atividade que exerce, o organismo gasta mais ou menos energia.
Assim, segundo esta nutricionista, em entrevista concedida a revista "Superinteressante" (publicada no n°6, junho de 1993), tudo que o corpo homano ingere é tratado por ele, indistintamente, como alimento. um organismo plenamente desenvolvido utiliza esse alimento como matéria-prima para regenerar boa parte das células e para gerar energia que o conserva vivo. em repouso absoluto, ele tem a potência de uma lâmpada: consome 100 watts de energia, o correspondente a 2100 quilogramas por dia. Cerca de 20% dessa energia é utilizada pela músculatura esquelética, 5% pelo coração, 19% pelo cérebro, 10% pelos rins e 27% pelo fígado e pelo baço. Assim vemos que a alimentação é vital para a vida, seja para os esportistas se o homem comum, pois a qualidade de nossas vidas depende daquilo que comemos. um dos fenômenos que indica carência alimentar é o índice de prevalência de anemia, ou em outros termos, a falta de ferro no organismo. Esse índice serve não apenas para avaliação da saúde de um indivíduo, mas também, de um dado grupo ou de uma comunidade. Esse índice pode dizer muito mais do que sobre a simples quantidade de alimento ingerido por um sujeito ou uma comunidade: ele diz respeito essencialmente sobre a qualidade da alimentação. esse fato vai ser importante nas nossas discurssões assim como no desenvolvimento de nossas atividades.
Por trás do apetite normal que faz barrigas roncarem, existe uma fome oculta. Ameaçadora, ela compromete a saúde de mais da metade do planeta. Sem deixar praticamente nenhum rastro, a anemia se instalou na sociedade e é responsável por uma geração de crianças, adolescentes e adultos apáticos, fracos e com rendimento escolar e no trabalho cada vez menor.
"É uma doença que mata nem chama a atenção. mas é perigosa e deletéria para o indivíduo e para o desenvolvimento social do país" avisa a consultora de nutriçaõ da Organização Pan- Americana de Saúde (OPAS), Leonor Pacheco. Pesguisas comprovam a perda intelectual que ocorre em anêmicos. O fundo das nações Unidas para a Influência (Unicef) provou que bebês e crianças com anemia perdem nove pontos do coeficiente de Inteligência (QI).
Quando falamos em má alimentação, pensamos logo em falta de alimentos, o que pode não corresponder à realidade, pois uma alimenteção inadequada implica considerarmos as proporções de nutrientes ingeridos e sua relação com as necessidades de cada um. por falar em "proporção", discutir sobre alimentação será uma oportunidade impar para tratar de conceitos matem´ticos importantes no ensino fundamental, não somente o conceito de proporção, mas também das medidas, dos decimais e do tratamento de informações.
A anemia cresce independente da classe da classe social. amostra de sangue de 1.256 crianças de 0 a 5 anos de idade da cidade de São Paulo demonstram que 46.9% sofriam de anemia.
A solução para o problema de falta na alimentação de ferro foi a de enriquecer certos produtos com o nutriente. Apreferência é por produtos consumidos em larga escala no país. No brasil, as soluções começam a ser pensadas agora. (Texto baseado na reportagem de Daniela Guima, "Falta ferro à mesa" publicada em 30 de março de 2.002, pelo Correio Braziliense, página 08 do primeiro caderno.)